MIGUEL SOUSA TAVARES
Mais uma crónica acutilante do jornalista, no Público de hoje. Calculo que nestas alturas, a formação em Direito sirva para alguma coisa. O retrato que ele faz do corporativismo da magistratura, da forma como por vezes se fere o espírito da lei (quando não a lei, em si própria) para proteger colegas de ofício, é algo que todos nós já sabíamos. Mas poucos de nós temos a coragem de o pôr em letra de imprensa.
Ainda sobre M. S. Tavares, não me tem saído da cabeça a descrição que ele faz no seu romance "Equador" da política colonial portuguesa do início do séc. XX e os comentários de alguns analistas sobre a crise em S. Tomé e Príncipe. Já se fala é menos em cacau e mais em petróleo.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
25 de julho de 2003
PÕE O CINTO, PÁ
Vai começar mais uma campanha de prevenção rodoviária. Pela fotografia do spot que vi, uma criancinha de plasticina levava um murraço na tromba (a fingir que era o pai a travar). Embora compreenda esta fantasia do criativo, que deve ser pai e ter pouca paciência, não me parece que isso ajude muito. Pôr o cinto é que era capaz de ser porreiro (basta andar na estrada e olhar para dentro dos carros que nos ultrapassam para ver que 80% da canalha anda totamente à solta. Normalmente, empoleiradinhos a meio, entre os bancos, mesmo naquele sítio ideal para treinar vôo sem aparelho).
Vai começar mais uma campanha de prevenção rodoviária. Pela fotografia do spot que vi, uma criancinha de plasticina levava um murraço na tromba (a fingir que era o pai a travar). Embora compreenda esta fantasia do criativo, que deve ser pai e ter pouca paciência, não me parece que isso ajude muito. Pôr o cinto é que era capaz de ser porreiro (basta andar na estrada e olhar para dentro dos carros que nos ultrapassam para ver que 80% da canalha anda totamente à solta. Normalmente, empoleiradinhos a meio, entre os bancos, mesmo naquele sítio ideal para treinar vôo sem aparelho).
PROTESTO
Os "trabalhadores" da Carris já protestaram contra a referida reestruturação, vulgo, rescisões amigáveis.
Alguns funcionários terão mesmo assegurado que se iriam aborrecer para casa. Afinal, não é fácil juntar grupos de paródia iguais aos que se formam nos terminais.
ps: agora mais a sério, a chamada de atenção, feita pelos sindicatos, para as 4 administrações que regem os transportes e os seus 20 (regiamente pagos) administradores fazem igualmente sentido. Certamente que teremos que continuar a sustentar várias pessoas, nomeadas pelos seus méritos partidários, a pão-de-ló, mas ao menos que reduzissem o número de empresas.
Os "trabalhadores" da Carris já protestaram contra a referida reestruturação, vulgo, rescisões amigáveis.
Alguns funcionários terão mesmo assegurado que se iriam aborrecer para casa. Afinal, não é fácil juntar grupos de paródia iguais aos que se formam nos terminais.
ps: agora mais a sério, a chamada de atenção, feita pelos sindicatos, para as 4 administrações que regem os transportes e os seus 20 (regiamente pagos) administradores fazem igualmente sentido. Certamente que teremos que continuar a sustentar várias pessoas, nomeadas pelos seus méritos partidários, a pão-de-ló, mas ao menos que reduzissem o número de empresas.
24 de julho de 2003
SERVIÇO PÚBLICO
Como as novas gerações já não aprendem francês na escola, sinto-me na obrigação de lhes mostrar o que encontrariam se lessem O SENHOR DOS ANEIS:
"CHAPITRE PREMIER
UNE RÉCEPTION DEPUIS LONGTEMPS ATTENDUE
Quand M. Bilbon Sacquet, de Cul-Sac, annonça qu'il donnerait à l'occasion de son undécante-unième anniversaire une réception d'une magnificence particulière, une grande excitation régna dan Hobbitebourg, et toute la ville en parla"
Ou, o Rimbaud...
LE PAUVRE SONGE
"peut-être un Soir m'attend
Où je boirai tranquille
En quelque vieille Ville,
Et mourrai plus content:
Puisque je suis patient!
Si mon mal se résigne,
Si j'ai jamais quelque or,
Choisirai-je le Nord
Ou le Pays des Vignes?...
-Ah! Songer est indigne
Puisque c'est pure perte!
Et si je redeviens
Le voyageur ancien
Jamais l'auberge verte
Ne peut bien m'être ouverte. "
ps: just kidding
Como as novas gerações já não aprendem francês na escola, sinto-me na obrigação de lhes mostrar o que encontrariam se lessem O SENHOR DOS ANEIS:
"CHAPITRE PREMIER
UNE RÉCEPTION DEPUIS LONGTEMPS ATTENDUE
Quand M. Bilbon Sacquet, de Cul-Sac, annonça qu'il donnerait à l'occasion de son undécante-unième anniversaire une réception d'une magnificence particulière, une grande excitation régna dan Hobbitebourg, et toute la ville en parla"
Ou, o Rimbaud...
LE PAUVRE SONGE
"peut-être un Soir m'attend
Où je boirai tranquille
En quelque vieille Ville,
Et mourrai plus content:
Puisque je suis patient!
Si mon mal se résigne,
Si j'ai jamais quelque or,
Choisirai-je le Nord
Ou le Pays des Vignes?...
-Ah! Songer est indigne
Puisque c'est pure perte!
Et si je redeviens
Le voyageur ancien
Jamais l'auberge verte
Ne peut bien m'être ouverte. "
ps: just kidding
ESCUTAS TELEFÓNICAS
O post abaixo faz-me pensar noutra coisa. Se a Judiciária tem metade do país debaixo de escuta, isto é, se partilha das nossas conversas, não deveria ajudar a pagar a conta do telemóvel?
Ou deverá, por exemplo, Ferro Rodrigues deduzir nos impostos os seus telefonemas, já que eles contribuíram para a res pública?
O post abaixo faz-me pensar noutra coisa. Se a Judiciária tem metade do país debaixo de escuta, isto é, se partilha das nossas conversas, não deveria ajudar a pagar a conta do telemóvel?
Ou deverá, por exemplo, Ferro Rodrigues deduzir nos impostos os seus telefonemas, já que eles contribuíram para a res pública?
AVANTE DO SEU TEMPO
A revista "Os meus livros" publica um artigo sobre o original tema dos blogues. Neste caso, os literários. Entre outras coisas, fiquei a saber que um dos blogues mais "estimulantes" que se podem consultar é a COLUNA INFAME. Levantando-se das brumas do outro mundo, o retrato conjunto dos nossos amigos Pedro Lomba, Pedro Mexia e José P. Coutinho, agradecem.
Ainda num assomo de grande originalidade preparam um dossier sobre livros que exploram o tema "pedofilia". Não li, confesso, mas tenho a certeza que não deixará de ser de grande utilidade, já que é um assunto quase nada explorado pela imprensa.
Bem hajam e não percam a qualidade.
A revista "Os meus livros" publica um artigo sobre o original tema dos blogues. Neste caso, os literários. Entre outras coisas, fiquei a saber que um dos blogues mais "estimulantes" que se podem consultar é a COLUNA INFAME. Levantando-se das brumas do outro mundo, o retrato conjunto dos nossos amigos Pedro Lomba, Pedro Mexia e José P. Coutinho, agradecem.
Ainda num assomo de grande originalidade preparam um dossier sobre livros que exploram o tema "pedofilia". Não li, confesso, mas tenho a certeza que não deixará de ser de grande utilidade, já que é um assunto quase nada explorado pela imprensa.
Bem hajam e não percam a qualidade.
23 de julho de 2003
O ACTO DE BEM GRAFITAR O QUE SE APANHA
Gosto da estação do Rato, em Lisboa. Da maneira como a enorme escada se propulsiona em direcção ao céu. Do verde esmeralda dos azulejos.
Existe uma outra saída de metro que é como um túnel de aquário, na Av. da Liberdade, suponho.
Mas as duas estão cobertas de gatafunhos. Bandos de sabe-se lá escrevinharam as iniciais, em anagrâmico estilo. Ficaram os quadrados cerâmicos como se moscas gigantes ali tivessem passando em incontinente desvario.
Pergunto-me, onde estavam os seguranças, que supostamente têm as escadas sob vigilância vídeo, enquanto eles se entretinham nesta actividade? Provavelmente, trancados a sete chaves nalgum gabinete, rezando para que os artistas não lhe espetassem uma naifa nas gordas carnes... Digo eu...
Gosto da estação do Rato, em Lisboa. Da maneira como a enorme escada se propulsiona em direcção ao céu. Do verde esmeralda dos azulejos.
Existe uma outra saída de metro que é como um túnel de aquário, na Av. da Liberdade, suponho.
Mas as duas estão cobertas de gatafunhos. Bandos de sabe-se lá escrevinharam as iniciais, em anagrâmico estilo. Ficaram os quadrados cerâmicos como se moscas gigantes ali tivessem passando em incontinente desvario.
Pergunto-me, onde estavam os seguranças, que supostamente têm as escadas sob vigilância vídeo, enquanto eles se entretinham nesta actividade? Provavelmente, trancados a sete chaves nalgum gabinete, rezando para que os artistas não lhe espetassem uma naifa nas gordas carnes... Digo eu...
DRAWN BY THE BLOGS
Desisto. Ou antes, vou mudar de atitude epistemológica. Só sei que nada sei, sobre os blogues actuais. Todos os dias surgem novos, com razões de interesse muito diversas. Vou lá por indicação de outros, ou por acaso, como aconteceu aqui com o Piscoiso. Carreguem no sinal da vaca :)
Ou o Dempster, mantido pelo Nuno, que tem uma fotografia de uma casa no Marão e uns avanços poéticos que se pressentem em progresso.
E, claro, o rainsong do José Manuel que não convém perder de vista... ;)
Desisto. Ou antes, vou mudar de atitude epistemológica. Só sei que nada sei, sobre os blogues actuais. Todos os dias surgem novos, com razões de interesse muito diversas. Vou lá por indicação de outros, ou por acaso, como aconteceu aqui com o Piscoiso. Carreguem no sinal da vaca :)
Ou o Dempster, mantido pelo Nuno, que tem uma fotografia de uma casa no Marão e uns avanços poéticos que se pressentem em progresso.
E, claro, o rainsong do José Manuel que não convém perder de vista... ;)
22 de julho de 2003
LUMUS!!
Sempre me fez confusão, por que razão sempre que visitava universidades estrangeiras via os alunos vestidos de jeans, sentados em relvados, mas basicamente concentrados no trabalho académico.
Em Portugal, pelo contrário, os grandes momentos eram os dedicados às praxes e à escolha do trajo académico (que lhes custa, crachás incluídos, quase tanto como um ano inteiro de propinas numa universidade pública).
Foi ao avistar uma imagem do Harry Potter & Friends que percebi: eles não andam numa universidade Mugle, frequentam escolas de feitiçaria em que se deve passar com o mínimo de estudo. Daí, as capas.
Imagem de uma universidade portuguesa, com as suas roupas típicas (incluindo o maravilhoso manto da invisibilidade que permite sair de lá sem saber nada).
Sempre me fez confusão, por que razão sempre que visitava universidades estrangeiras via os alunos vestidos de jeans, sentados em relvados, mas basicamente concentrados no trabalho académico.
Em Portugal, pelo contrário, os grandes momentos eram os dedicados às praxes e à escolha do trajo académico (que lhes custa, crachás incluídos, quase tanto como um ano inteiro de propinas numa universidade pública).
Foi ao avistar uma imagem do Harry Potter & Friends que percebi: eles não andam numa universidade Mugle, frequentam escolas de feitiçaria em que se deve passar com o mínimo de estudo. Daí, as capas.
Imagem de uma universidade portuguesa, com as suas roupas típicas (incluindo o maravilhoso manto da invisibilidade que permite sair de lá sem saber nada).
21 de julho de 2003
AINDA A JUSTIÇA
Segundo sondagens recentes, os portugueses gostariam de ver agravadas para mais de 25 anos ou até para a pena de morte, as penas de alguns crimes.
Parece-me bem, e propunha até que voltássemos àquela prática que consistia em amarrar uma pessoa pelos braços a um cavalo e pelas pernas a outro, até que a força dos animais acabasse por desmembrar o desgraçado.
A companheira Cardona poderia fazer um acordo com as televisões (julgo que a Tvi pagaria o que fosse preciso) e transmitir em directo. Poderiam chamar-lhe "O arrancar de membros da Marta".
Segundo sondagens recentes, os portugueses gostariam de ver agravadas para mais de 25 anos ou até para a pena de morte, as penas de alguns crimes.
Parece-me bem, e propunha até que voltássemos àquela prática que consistia em amarrar uma pessoa pelos braços a um cavalo e pelas pernas a outro, até que a força dos animais acabasse por desmembrar o desgraçado.
A companheira Cardona poderia fazer um acordo com as televisões (julgo que a Tvi pagaria o que fosse preciso) e transmitir em directo. Poderiam chamar-lhe "O arrancar de membros da Marta".
SEGREDO DE JUSTIÇA
Durante anos julguei que esta expressão se referia ao mistério que envolvia o facto dos juízes enviarem para a prisão milhares de pessoas a aguardar julgamento, durante anos; ao facto dos tribunais terem dois meses de férias enquanto o resto do país se vê à rasca para ter um, ou à misteriosa razão que leva um processo a demorar tanto tempo que quando finalmente chega a julgamento já pagávamos para que não nos chateassem mais com aquilo.
Afinal, não. Refere-se apenas à forma como interesses vários fazem sair a informação directamente de interrogatórios e de outros procedimentos de investigação para as primeiras páginas dos jornais.
Durante anos julguei que esta expressão se referia ao mistério que envolvia o facto dos juízes enviarem para a prisão milhares de pessoas a aguardar julgamento, durante anos; ao facto dos tribunais terem dois meses de férias enquanto o resto do país se vê à rasca para ter um, ou à misteriosa razão que leva um processo a demorar tanto tempo que quando finalmente chega a julgamento já pagávamos para que não nos chateassem mais com aquilo.
Afinal, não. Refere-se apenas à forma como interesses vários fazem sair a informação directamente de interrogatórios e de outros procedimentos de investigação para as primeiras páginas dos jornais.
MERCADO
Em frente à estação de S.Bento era domingo. E havia gente a acotovelar-se em frente de cachorros de olhos doces, galinhas, bonecos chineses que rodopiavam sobre um eixo enquanto a dona dizia "dois eulos, dois eulos", antenas de carro gamadas de véspera, hamsters ("Pai compra-me um, Quem é que toma conta dele depois, hã?, Eu, Eu!, Sim, sim, o costume") e tantas coisas que se perdia de vista os seus contornos exactos. E o povo curioso a falar alto, a debruçar-se e a perguntar coisas. Era ali, Portugal.
Em frente à estação de S.Bento era domingo. E havia gente a acotovelar-se em frente de cachorros de olhos doces, galinhas, bonecos chineses que rodopiavam sobre um eixo enquanto a dona dizia "dois eulos, dois eulos", antenas de carro gamadas de véspera, hamsters ("Pai compra-me um, Quem é que toma conta dele depois, hã?, Eu, Eu!, Sim, sim, o costume") e tantas coisas que se perdia de vista os seus contornos exactos. E o povo curioso a falar alto, a debruçar-se e a perguntar coisas. Era ali, Portugal.
GYMNAESTRADA
O nome é pavoroso, a lembrar corridas de corta-mato com calções puxados até ao pescoço, mas o acontecimento é notável. Bastava circular por Lisboa, para ver a alegria de milhares de jovens dos 7 aos 77, vestidos com as cores dos seus países. Claro que um evento destes mereceria uma promoção adequada; uma coisa que atraísse ao país, gente interessada em ver de perto as exibições destes atletas. E já agora que trouxesse portugueses de outras regiões à capital. Não é preciso ser um especialista em desporto para se perceber a magnitude deste acontecimento.
Quanto a mim, tenciono ir ver várias das exibições.
O nome é pavoroso, a lembrar corridas de corta-mato com calções puxados até ao pescoço, mas o acontecimento é notável. Bastava circular por Lisboa, para ver a alegria de milhares de jovens dos 7 aos 77, vestidos com as cores dos seus países. Claro que um evento destes mereceria uma promoção adequada; uma coisa que atraísse ao país, gente interessada em ver de perto as exibições destes atletas. E já agora que trouxesse portugueses de outras regiões à capital. Não é preciso ser um especialista em desporto para se perceber a magnitude deste acontecimento.
Quanto a mim, tenciono ir ver várias das exibições.
PAX IN DOMINICUS
Ao que consta, o Vaticano já entrou no negócio das roupas. Quem for em corpinho bem feito, pode comprar umas roupas descartáveis à entrada da Basílica de S.Pedro. Não sei se será franchising daquelas peças íntimas descartáveis que se vendiam nas sex shops, mas parece-me uma ideia piedosa.
Afinal, nunca se sabe se algum contido padre não desviaria por momentos os olhos das imagens dos anjinhos para os passear nas carnes macias de uma turista.
Ao que consta, o Vaticano já entrou no negócio das roupas. Quem for em corpinho bem feito, pode comprar umas roupas descartáveis à entrada da Basílica de S.Pedro. Não sei se será franchising daquelas peças íntimas descartáveis que se vendiam nas sex shops, mas parece-me uma ideia piedosa.
Afinal, nunca se sabe se algum contido padre não desviaria por momentos os olhos das imagens dos anjinhos para os passear nas carnes macias de uma turista.
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